Dando adeus aos aterros sanitários

Uma nova tecnologia empregada em um Centro de Processamento de Lixo na cidade de Ituporanga, em Santa Catarina, promete eliminar a necessidade de utilizar os aterros sanitários.

Com a separação dos materiais recicláveis, o sistema permite a obtenção de novas matérias-primas e adubo. O projeto é resultado de uma primeira invenção voltada para a área rural, que trata os dejetos de suínos.


A questão do lixo está diretamente ligada ao modelo de desenvolvimento em que vivemos, vinculado ao incentivo do consumo. Antes do processo da Primeira Revolução Industrial o lixo produzido nas residências era composto basicamente de matéria orgânica, dessa forma era fácil eliminá-los, bastava enterrar. Além disso, as cidades e população eram menores.

Mais tarde, com o crescimento em escala mundial da industrialização e com o acelerado aumento da população e dos centros urbanos, houve um aumento significativo na quantidade de lixo e variedades em suas composições. Atualmente, quando compramos algo no supermercado, o lixo não é apenas gerado pelo produto em si, pois além da etapa de produção (cultivo, extração de minérios, transporte, energia), ainda há o cupom fiscal e a sacolinha recebidos pelo consumidor final.

Nas cidades que contam com serviços de coleta do lixo, esse é armazenado em lixões nos quais os dejetos ficam expostos a céu aberto ou em aterros sanitários onde o lixo é enterrado e compactado em um sistema mais complexo e se bem construído, bastante funcional.

Os lugares que abrigam os depósitos de lixo geralmente estão localizados em áreas afastadas das partes centrais do município, e essa é uma das diferenças entre os aterros tradicionais e o Centro de Processamento de Lixo que usa a tecnologia criada pelo empresário Dirnei Ferri, em Ituporanga. O Centro está sendo projetado para reduzir ao máximo o número de pessoas que entra em contato com os resíduos e poderá ser instalado em lugares mais próximos dos locais de geração, pelo seu baixo impacto ambiental, por não gerar mau cheiro e nem permitir a proliferação de possíveis causadores de doenças.

O lixo que chega no Centro vai para uma linha de triagem, onde são retirados alguns tipos de materiais recicláveis, e o restante segue para a compostagem, onde será transformado em adubo. O principal ganho do projeto é a retirada dos plásticos filmes que compõe o lixo, como sacos, sacolas de supermercado e embalagens plásticas, que viram matéria-prima para a produção de madeira plástica. Somente em Ituporanga, onde o plástico filme responde por aproximadamente 10% do total do lixo, será possível recuperar 30 toneladas deste material todos os meses.

Segundo Ferri, este novo processo de tratamento do lixo não elimina o custo da disposição de resíduos, mas substitui um método no qual ‘paga-se para enterrar e poluir’, por outro no qual ‘paga-se para processar, reutilizar e reciclar’. “No primeiro os prejuízos são imensos, já no segundo os ganhos são imensuráveis”, diz.

Entre os benefícios da tecnologia estão a descontaminação, a retirada e o encaminhamento para reciclagem de diversos materiais sólidos como vidros, plásticos e metais; e a transformação em composto orgânico dos restos de alimentos, vegetais, papéis contaminados (como o papel higiênico). Ferri alerta, contudo, que ainda é preciso estudar qual seria o melhor uso para o biofertilizante produzido.

O processo pode ser replicado em qualquer lugar, basta que ele seja dimensionado para o tamanho da população e quantidade de lixo gerada. “Isso é possível porque o lixo não é acumulado indeterminadamente como nos aterros sanitários, depois do primeiro ciclo, que leva 45 dias, a mesma quantidade que entra, sai diariamente para os processos de reutilização, aproveitamento e reciclagem”, explica Ferri.

Pela eficiência do seu processo de compostagem em resolver o problema do manejo dos dejetos suínos, Ferri recebeu o Prêmio Fritz Muller na categoria Agricultura Sustentável, promovido pela Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina (Fatma) para reconhecer os principais projetos e trabalhos na área ambiental desenvolvidos no estado.

Os resíduos das granjas passam pelo processo de compostagem, onde os dejetos dos animais são conduzidos por canos até um galpão dividido em sulcos feitos na terra contendo serragem. Por aspersão, os dejetos são distribuídos ao longo dos sulcos, misturados e aerados por um maquinário desenhado para este processo. O resultado é um biofertillizante altamente rico em nitrogênio, potássio e fósforo (NPK), além de ser seco, sem cheiro, livre da atração de insetos e de grande valor comercial, ambiental e agronômico, sendo de grande valia tanto para a fertilização do solo, como para a geração de renda para os suinocultores.

Tradicionalmente, as fazendas de suínos contam com uma esterqueira para armazenar os dejetos, um processo que causa um grande impacto no meio ambiente devido aos riscos de contaminação de rios, lençóis freáticos e solo e à emissão de metano, gás do efeito estufa 21 vezes mais potente para causar o aquecimento global que o dióxido de carbono (CO2).

Conforme dados da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Santa Catarina conta hoje com cerca de 6,2 milhões de cabeças de suínos, que geram 44 mil metros quadrados de dejetos todos os dias. Ferri diz que “Se esta tecnologia fosse implantada para todos os suínos do estado, seriam gerados anualmente 1,24 milhões de toneladas de biofertilizante e, pela não geração de metano, deixariam de ser emitidas cerca de 3,1 milhões de toneladas equivalentes de CO2”.

Criado há dez meses, o Centro de Processamento de Lixo ainda está em fase de testes e está previsto para ficar pronto em fevereiro de 2010, podendo receber as 10 toneladas de lixo domiciliar produzidas diariamente pelos 22 mil habitantes de Ituporanga. No caso do processo de compostagem utilizado nas granjas, o custo aproximado por cada animal em uma propriedade de mil suínos é de R$ 80 a R$ 90, o que pode variar de acordo com as condições de cada propriedade.

Fonte: Agência Envolverde

Reflorestamento: Eucalipto dilui custo na avicultura


Apostando na diversificação, criadores de frango de corte aderem ao sistema integrado de produção de aves e eucaliptos para tornar aviários auto-sustentáveis.

Diversificação, auto-sustentabilidade e reflorestamento. Estas são as palavras mais usadas pelos criadores de frangos e empresas avícolas no Noroeste do Paraná. Para reduzir custos e aumentar a renda dos aviários, criadores apostam na produção integrada de frango de corte e eucalipto. Os produtores acreditam que a rentabilidade pode ser ampliada em até 10% com a prática.

O produtor Paulo Antônio Maciel tem quatro aviários em Japurá. Durante o ano os viveiros de Maciel recebem seis lotes de pintinhos (110 mil aves por etapa de criação), de onde saem cerca de 660 mil frangos para o abate. Para manter os aviários aquecidos, ele gasta cerca de R$ 8 mil por ano com a compra de madeira.

Para reduzir custos, há um ano e meio Maciel cercou a propriedade com 27 mil mudas de eucalipto, que agora estão com aproximadamente sete metros de altura. Quando completarem três anos as árvores poderão ser cortadas e utilizadas nos fornos. Com cinco, os eucaliptos servirão para a construção ou ampliação dos aviários. “É uma economia que faz a diferença. Além disso, as árvores protegem os aviários dos ventos e da poluição, que interferem significativamente na produção. Funciona como uma espécie de filtro verde”, explica.

De acordo com o gerente de expansão da indústria avícola Frangos Canção, Aguinaldo Bulla, a madeira faz parte de todo o processo de produção do setor avícola. “É usada na construção dos aviários, no aquecimento dos lotes, na secagem do milho, nas caldeiras frigoríficas e no processamento de subprodutos”, afirma.

Os criadores João Francisco de Oliveira e o filho Diego Precinotto também plantaram as mudas em volta dos aviários. “Enquanto tem gente desmatando nós estamos reflorestando”, diz Oliveira. “Como as árvores serão cortadas em etapas, respeitando o ciclo de crescimento e a reposição de novas mudas, as áreas de reflorestamento serão mantidas”, complementa Bulla.

Segundo o gerente da Frangos Canção, a cada mil aves criadas há uma demanda de 4 metros cúbicos de madeira de eucaliptos. “O país tem uma produção anual de 5 bilhões de cabeças de frango de corte, o que corresponde a um consumo de 20 milhões de metros cúbicos de madeira. O Paraná, maior produtor de aves do país, concentra a produção de 23% desse volume, com um consumo de 92 mil hectares de terras reflorestadas com eucaliptos”, explica.

Bulla afirma que a prática tem mostrado que as propriedades mais produtivas e rentáveis são aquelas em que o produtor preserva o meio ambiente, por isso a integração entre avicultura e plantação de eucalipto é tão importante. “Respeitando o manejo e a utilização da floresta de eucaliptos, os produtores podem até mesmo vender o excesso de madeira para as indústrias que fabricam papel”, lembra Bulla.

Paraná lidera a produção

Empresas e criadores paranaenses fazem do estado o líder nacional em produção de frango. Segundo o Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), foram produzidos, entre janeiro e maio desde ano, quase 500 mil cabeças de frango, enquanto em todo o ano passado o número chegou a 1,2 milhão.

Em 2009, o Paraná exportou 361,5 milhões de quilos de frango no acumulado janeiro a maio, o que rendeu um faturamento de U$$ 490 milhões. O desempenho representa 25,8% de toda a exportação de frango de corte nacional, menor apenas do que Santa Catarina.

De acordo com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado do Paraná (Seab), em agosto de 2000 existiam 5.810 aviários cadastrados. Atualmente, este número quase dobrou, superando os 11 mil em pouco menos de uma década.

Fonte: Gazeta do Povo

Compromisso do Brasil de redução de gases de efeito estufa pode chegar a 40%, diz Dilma

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rouseff, afirmou hoje (9) que o Brasil poderá assumir um compromisso voluntário em Copenhague, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, de redução de cerca de 40% das emissões de gases de efeito estufa até 2020.

“Ao reduzirmos o desmatamento [da Amazônia] em 80% [até 2020] já conseguiremos reduzir 20% das emissões de [gás carbônico]”, disse Dilma após reunião com o presidente Lula e ministros, em São Paulo.

Para chegar aos 40%, o governo ainda vai calcular qual será a contribuição de outros setores, como agricultura, pecuária e energia.

Segundo a ministra, o compromisso voluntário de reduções ainda não foi fechado porque o governo “não pode achar”. “Nós somos o governo só vamos assumir o que é possível. Falta fazer avaliações consistentes porque temos que provar o que pode ser feito e ter políticas para fazê-lo. Não temos metas a cumprir, temos compromissos voluntários”, explicou a ministra.

Segundo ela, a proposta do Brasil para a Conferência do Clima, em dezembro, será divulgada em 14 de novembro.

Para a ministra, o crescimento econômico não vai prejudicar os compromissos de redução de emissão de gases poluentes. “Estamos fazendo tudo para assegurar que uma coisa não comprometa a outra”, disse.

Dilma assegurou que o Brasil terá uma posição muito clara e que será exemplo para o mundo. “Queremos que Copenhague tenha ganhos, que os [países] ricos cumpram as suas metas e que os em desenvolvimento proponham seus objetivos voluntários.”

Dilma falou ainda que o maior vilão das emissões de gás carbônico são os combustíveis de energia fóssil e que o Brasil não tem esse problema uma vez que trabalha com energias de matriz renováveis.

Fonte: http://www.agenciabrasil.gov.br/

Empresa desenvolve linha de painéis solares flexíveis e portáteis



A energia solar já mostrou que é uma alternativa eficiente e sustentável a outras formas de energia, especialmente aos combustíveis fósseis. Mas apesar de suas vantagens, esse modelo de captação de eletricidade ainda possui muitos problemas, como o alto custo e a necessidade de um espaço apropriado para a sua instalação. Para reverter essa situação, uma empresa lançou uma linha de painéis solares mais finos, leves e flexíveis, capazes de se adaptar a diversos tipos de construção.


Os painéis foram desenvolvidos pela Power Film Solar e podem ser integrados ao projeto arquitetônico da construção graças à sua tecnologia feita com placas solares flexíveis, duráveis e de baixo custo. Medindo cerca de 0,025 milímetros de espessura, esses painéis usam apenas 1% do silício utilizado em outros painéis e são livre de cádmio.

A companhia já utiliza essa tecnologia desde 2005 em aplicações militares e agora está investindo no uso desses materiais em outros produtos. De coberturas metálicas até barracas de lona, os fabricantes garantem que o painel pode ser aplicado em qualquer superfície. A energia gerada pelas placas solares é armazenada em baterias locais e convertida em correntes elétricas que poderão ser utilizadas diretamente na iluminação local ou em outras aplicações.

Outras aplicações da tecnologia foram feitas em produtos menores e portáteis, como carregadores de baterias, celulares, computadores e outros gadgets. As células fotovoltaicas são aplicadas em espécies de tapetes capazes de gerar até 60 Watts de eletricidade e que podem ser enrolados e transportados para qualquer lugar.

Ao todo, são quatro linhas de produtos que incluem carregadores portáteis, geradores em larga escala, coberturas de construções e até produtos customizados. Os produtos estão disponíveis em diversos países, como Estados Unidos, Turquia, Reino Unido, Canadá, entre outros. Os produtores não informaram os preços nem se realizam vendas para o Brasil, mas os interessados podem buscar mais informações no site da empresa ou pelo e-mail jstone@powerfilmsolar.com

Fonte: EcoDesenvolvimento

Resíduo da extração de areia é aproveitado em cerâmica


A mineração de areia e de argila são essenciais para a construção civil e para o crescimento das cidades. Mas a atividade geralmente tem grande impacto ambiental. Por isto, qualquer melhoria em uma delas pode diminuir esses impactos e eventualmente diminuir custos para a construção de moradias.

Por exemplo, a extração de areia para construção civil normalmente gera quantidades consideráveis de argila, que é deixada em locais próximos às jazidas sem passar por nenhuma espécie de aproveitamento.

Agora, usando os resíduos de uma mineradora em Guarulhos, na Grande São Paulo, uma pesquisa da Escola Politécnica (Poli) da USP propõe a utilização dessa argila rejeitada para a produção de peças de cerâmica vermelha, como blocos estruturais e telhas.

Como é obtida a areia

A obtenção da areia é feita por meio de desmonte hidráulico, com jatos de água. "O material descartado é levado para tanques de decantação, que normalmente são cavas de mineração desativadas aproveitadas para a formação de barragens", conta o geólogo Edílson Pissato, autor da pesquisa.

A argila representa de 30% a 40% do material bruto que passa pelo desmonte. "Apesar do resíduo não ser tóxico, há o risco de as barragens se romperem, atingindo áreas de preservação, o que pode provocar problemas ambientais."

O aproveitamento da argila foi testado em peças cerâmicas. "Os ensaios demonstraram que o material é mais indicado para a produção de cerâmica vermelha, em peças como telhas e blocos estruturais, além de tijolos maciços e furados", explica o geólogo. Parte dos testes com as peças aconteceu em um laboratório especializado do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), em Itu (interior de São Paulo).

Sustentabilidade ambiental da mineração

O geólogo estima o volume de argila disponível na mineradora pesquisada em 3,8 milhões de metros cúbicos. O aproveitamento dos resíduos permite aumentar a sustentabilidade ambiental da extração, aumentando ainda a vida útil das jazidas.

"A sociedade passa a ter um material que era inservível à disposição, o que irá reduzir o impacto no meio ambiente a longo prazo", afirma Pissato. Também é possível relavrar os resíduos. "Com o reaproveitamento, a extração nas cavas pode ser mantida, sem precisar descartá-las devido ao acúmulo de material inerte".

De acordo com o pesquisador, a expansão urbana da Grande São Paulo reduziu a quantidade de locais de mineração de areia, pedra britada e argila, que possuem boa disponibilidade no substrato geológico local. "Apesar de serem materiais de preço relativamente baixo, eles precisam ser transportados de locais distantes até 200 quilômetros da região metropolitana, encarecendo muito seus custos", alerta.

Os resultados da pesquisa foram encaminhados à mineradora estudada, que colaborou com a realização dos ensaios cerâmicos, e também serão levados à prefeitura de Guarulhos. "A ideia é que a questão das mineradoras possa ser incluída nos futuros planos diretores da cidade", diz o geólogo, que atua na Secretaria de Meio Ambiente do município, onde atualmente funcionam três mineradoras de areia, que produzem aproximadamente 200 mil metros cúbicos anuais.

Sequenciado genoma da levedura produtora de etanol

Pesquisa feita na Unicamp conclui sequenciamento genético de levedura utilizada na produção de etanol, o que poderá dar novo impulso à fabricação do biocombustível no país.[Imagem: Gonçalo Pereira]


Processo de fermentação

Cientistas do Instituto de Biologia (IB) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com colegas da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, concluíram o sequenciamento genético da levedura Saccharomyces cerevisiae, conhecida como Pedra 2.

A levedura é utilizada em cerca de 30% da produção do etanol brasileiro. Enquanto a Saccharomyces cerevisiae consome o açúcar, ela se multiplica, formando outras células, ao mesmo tempo que libera gás carbônico (CO2) e o etanol, um álcool. Esse processo é conhecido como fermentação.

Guerra biológica e química

O estudo, que foi publicado na revista Genome Research do mês de outubro, abre novas perspectivas para a produção de etanol no país, de acordo com seus autores. Com o mapeamento do genoma da levedura, os pesquisadores conseguiram decifrar o mecanismo de ação do microrganismo.

Segundo um dos autores do artigo, Gonçalo Pereira, a Pedra 2 tem uma capacidade impressionante de se modificar e se adaptar às condições adversas durante o processo de fermentação.

"Essa levedura, como organismo experimental, é muita estudada. Mas pouca pesquisa foi feita em relação à produção de etanol nas condições da usina. O que acontece no processo produtivo é uma verdadeira guerra biológica e química. E esse fenômeno foi descoberto, relativamente, há pouco tempo", disse Pereira.

Trabalhos genéticos

Segundo o professor da Unicamp, essas leveduras foram selecionadas para "trabalhar" nas indústrias de cana-de-açúcar porque se adaptam com facilidade. O estudo procurou "entender como é que elas funcionavam."

"Além do sequenciamento, fizemos uma série de trabalhos genéticos e compreendemos que essa levedura tem uma capacidade enorme de competir e se reorganizar dentro da guerra biológica que ocorre durante o processo de produção de etanol", explica.

O grupo identificou diferenças em relação aos organismos dessa espécie ao estudar o genoma da levedura. Segundo Pereira, a Saccharomyces cerevisiae apresenta uma grande variabilidade e capacidade de resistir às mudanças ambientais e a outros tipos de estresse.

"Para sobreviver, essa levedura desenvolve uma capacidade impressionante de promover mudanças internas que a tornaram mais resistente a condições adversas", reforça.

Arsenal genético

O estudo aponta que a levedura desenvolveu a "competência" de ampliar o número de genes que lhe são benéficos, ao mesmo tempo em que reduz a quantidade dos que não são. Segundo Gonçalo Pereira a levedura contraria tudo o que se pode esperar de um processo de fermentação microbiológica.

"Ela reorganiza os genes de tal forma e com tal velocidade que, se ela possui um gene especialmente importante, consegue ampliá-lo várias vezes. E descobrimos que ela faz isso com os genes localizados na ponta dos cromossomos, estabelecendo uma série de variantes. Ela é capaz de se transformar completamente", disse.

Segundo o pesquisador, a pesquisa prossegue tentando entender em detalhes como esse mecanismo de transformação ocorre. Ao compreendê-lo profundamente, diz, "teremos condições de empregar a engenharia genética para manipular a levedura."

"Estamos vivendo no Brasil uma verdadeira revolução do ponto de vista tecnológico. Nosso objetivo é domesticar esse microrganismo e reprogramá-lo de forma eficiente para produzir mais etanol ou etileno, a partir da cana-de-açúcar", diz.

Inovação Tecnológica Alex Sander Alcântara - 22/10/2009

Grandes frigoríficos e ONG fecham acordo contra desmatamento



Momento da assinatura dos representantes dos frigoríficos/Foto: Reprodução Greenpeace

A ONG Greenpeace assinou com os frigoríficos Marfrig, Bertin, JBS-Friboi e Minerva (os maiores do país) um compromisso para que estas empresas deixem de comprar carne de produtores que contribuem com o desmatamento da floresta. O acordo foi firmado na segunda-feira, 5 de outubro. Segundo a entidade, 80% das áreas desmatadas na Amazônia são ocupadas pela pecuária.

Para o diretor da campanha do Greenpeace, Paulo Adário, este é um passo fundamental no combate ao desmatamento. "É incrível que o principal setor responsável pelo desmatamento esteja comprometido com a integridade da floresta", destacou.


Pecuária em áreas de preservação ajudam a desmatar a Amazônia

Segundo ele, o compromisso inclui uma agenda com seis pontos, como o monitoramento do desmatamento na cadeia produtiva e cadastro de todas as fazendas produtoras. "O prazo depende do tipo de fornecedor. Para o boi de corte, os frigoríficos têm seis meses para identificar todas as fazendas. Já para os criadores de bezerros, por exemplo, são dois anos", explicou Adário.

O compromisso firmado pelas empresas também deverá refletir na política externa brasileira. De acordo com Adário, durante a 15ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP-15), que será realizada em dezembro, na Dinamarca, "será positivo para a imagem do país mostrar que seus maiores produtores estão comprometidos com o meio ambiente".

De acordo com estudos do Greenpeace, um hectare da floresta é transformado em pasto para gado a cada 18 segundos. Para o diretor da ONG, Marcelo Furtado, o consumidor brasileiro poderá, em breve, comprar carne com a certeza de que não está contribuindo para o desmatamento. "É segurança para o consumidor, que saberá exatamente que está comprando sem agredir o meio ambiente", ressaltou.